quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dentro desta noite
Espero o anunciado ciclone!
Será por mim que espero?
Um silêncio atravessado na garganta
Sufoca-me as palavras.

Palavras por dizer!
Serão sempre as mais belas
Porque
Caladas as temos
Entre todos os sonhos e frias madrugadas!

Espero o ciclone que não vem
E a noite permanece inalterada.
Queria ser o vento e o despentear
De todas as ideias por mim
Imaginadas!

Em vagas altas e procelas
Me desfragmento
Por areias só por mim passeadas.
Cansados estão os pés
De tanto caminhar em vão!
Pudesse eu ser o chão
E cobrir-me com as minhas mãos molhadas!

Há tanto para dizer
Em todas estas linhas tão cruzadas
Que parada fico por tanto navegar!

Os barcos já não vêm.
Simplesmente os aguardo
Ao aguardar um milagre
Que sei não poder ser
Esta pessoa sozinha que em mim espera
Ciclones
Barcaças e marés
E muitos portos sombrios
Onde adormecer!


in "A MARGEM DE CÁ" , 6 Dezembro, 2000
IsaPerry

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