AS PALAVRAS
As palavras respiram.
Pensam.
Caiem e voltam a erguer-se.
As palavras caminham, deslizam e cochicham.
As palavras dão-se e recebem-se
Contorcem-se
E abrem-se
Atingem-nos
Desvendam-nos.
As palavras são uma seta.
Amar é uma palavra
Que é só
Não querer estar só.
A solidão é uma palavra
Que nos sai
Suspirando
Em muitas letras:
Só alguns as sabem ler.
Outros
Sabem-nas de cor.
As palavras são a lucidez
A faca de dois gumes
O veículo
Com o qual só se vai
Não se regressa.
Abro todas as palavras na minha página certa.
A tua.
E, de página em página
De semana em semana
Vou construindo
Capítulos.
As palavras matam-nos a fome
São uma manta de lã no Inverno
E um xaile de seda no Verão.
As palavras são noite
Navegam connosco através das sombras
E acordam connosco
Dando-nos o Sol.
As palavras são a sede da Água.
Escapam-se-nos entre os dedos
Se não as bebermos a Tempo!
Palavra
Chamo-me Isabel,
Isabel do Porto,
Porto das Barcas,
Porto das Brumas.
Desembarco.
in " A MARGEM DE CÁ",
um Livro que só vou dando a ler a quem, como eu, ama Palavras
Isabel Perry da Câmara
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Nas páginas escondidas
Das nossas esquizofrenias
Descobrimos personagens
Que não sabemos ser.
E ás vezes
A vontade de ser esse Ser
É tão forte que migramos
Para o nosso lado obscuro
De Lua!
Por lá ficamos
Remoendo e pensando
Apreendendo
Todos os pormenores
Da nossa complicada fusão...
- O Real e o Irreal.
Não sei na verdade
Se sou mais
O meu positivo ou
O meu negativo!
Como numa foto
Há duas versões:
Uma não tem Vida sem a Outra!
Há dias em que é difícil
Perceber
Em que caminho vamos:
Se no escuro
Se no claro.
Mas assim sobrevivemos
Apercebendo as fases
Desta nossa Lua – Mutante
E pedindo aquilo
Que nos faz mais falta:
O Luar!
Das nossas esquizofrenias
Descobrimos personagens
Que não sabemos ser.
E ás vezes
A vontade de ser esse Ser
É tão forte que migramos
Para o nosso lado obscuro
De Lua!
Por lá ficamos
Remoendo e pensando
Apreendendo
Todos os pormenores
Da nossa complicada fusão...
- O Real e o Irreal.
Não sei na verdade
Se sou mais
O meu positivo ou
O meu negativo!
Como numa foto
Há duas versões:
Uma não tem Vida sem a Outra!
Há dias em que é difícil
Perceber
Em que caminho vamos:
Se no escuro
Se no claro.
Mas assim sobrevivemos
Apercebendo as fases
Desta nossa Lua – Mutante
E pedindo aquilo
Que nos faz mais falta:
O Luar!
SER Lua.
Sinto em mim a dor
De viver com a Lua
E não viver comigo!
Negros são os dias
De face escondida!
É negro o pensamento
O sentir
E a alma.
Estranhos são os tempos
Em que não partilho
E não me ilumino.
Tantas fases, tantas faces!
Repito-me
Como um ciclo cósmico
Inevitável.
Sou um Destino!
E só queria ser eu
Do outro lado da luz
Nitidamente vendo
O meu caminho
Certa
Duma estrada aberta
No Luar de mim!
in "A MARGEM DE CÁ" , Novembro 2000
IsaPerry
Dentro desta noite
Espero o anunciado ciclone!
Será por mim que espero?
Um silêncio atravessado na garganta
Sufoca-me as palavras.
Palavras por dizer!
Serão sempre as mais belas
Porque
Caladas as temos
Entre todos os sonhos e frias madrugadas!
Espero o ciclone que não vem
E a noite permanece inalterada.
Queria ser o vento e o despentear
De todas as ideias por mim
Imaginadas!
Em vagas altas e procelas
Me desfragmento
Por areias só por mim passeadas.
Cansados estão os pés
De tanto caminhar em vão!
Pudesse eu ser o chão
E cobrir-me com as minhas mãos molhadas!
Há tanto para dizer
Em todas estas linhas tão cruzadas
Que parada fico por tanto navegar!
Os barcos já não vêm.
Simplesmente os aguardo
Ao aguardar um milagre
Que sei não poder ser
Esta pessoa sozinha que em mim espera
Ciclones
Barcaças e marés
E muitos portos sombrios
Onde adormecer!
in "A MARGEM DE CÁ" , 6 Dezembro, 2000
IsaPerry
Espero o anunciado ciclone!
Será por mim que espero?
Um silêncio atravessado na garganta
Sufoca-me as palavras.
Palavras por dizer!
Serão sempre as mais belas
Porque
Caladas as temos
Entre todos os sonhos e frias madrugadas!
Espero o ciclone que não vem
E a noite permanece inalterada.
Queria ser o vento e o despentear
De todas as ideias por mim
Imaginadas!
Em vagas altas e procelas
Me desfragmento
Por areias só por mim passeadas.
Cansados estão os pés
De tanto caminhar em vão!
Pudesse eu ser o chão
E cobrir-me com as minhas mãos molhadas!
Há tanto para dizer
Em todas estas linhas tão cruzadas
Que parada fico por tanto navegar!
Os barcos já não vêm.
Simplesmente os aguardo
Ao aguardar um milagre
Que sei não poder ser
Esta pessoa sozinha que em mim espera
Ciclones
Barcaças e marés
E muitos portos sombrios
Onde adormecer!
in "A MARGEM DE CÁ" , 6 Dezembro, 2000
IsaPerry
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
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