O absurdo
É eu ser um infinito cheio de finitos
Sol radiante seguido de chuvada
Um estranho errante
Assim parada
Dentro de mim
Um vagabundo
Um grito.
O absurdo
É eu ser tanto e quase nada
É eu saber de mim e não dizer
E passar por esta vida
Sem saber
Como mostrar
A minha Madrugada.
Isabel Perry in " A Margem De Cá"
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Queres um gole de champagne?
talvez nem houvesse palavras e o silêncio fosse a melhor conversa...
talvez beijar fosse o melhor diálogo
e o teu corpo no meu o decorrer do conto....
nem o princípio, nem o meio, nem o fim.
talvez me debruçasse na janela e houvesse um rio com barcos
e eu perdesse a noção
a minha cabeça era o rio ou os barcos ou os cheiros ou a seda
do vestido derramado pelo chão.
Queres um gole de champagne?
Isabel Perry in "A Travessia"
O meu copo gelado.
O meu corpo quente.
Sorvo o gelo
E o gin
E dou-te os meus lábios
Num beijo molhado.
Lá longe
O mar
Esqueceu-se de mim.
Ébria de palavras
Procuro o tal barco
Para me levar.
Não encontro o sal
Já não vejo o sol
Apenas um rio
Que desliza lento
E o cheiro da noite
Morna de jasmim.
Isabel Perry in" A Travessia"
O meu corpo quente.
Sorvo o gelo
E o gin
E dou-te os meus lábios
Num beijo molhado.
Lá longe
O mar
Esqueceu-se de mim.
Ébria de palavras
Procuro o tal barco
Para me levar.
Não encontro o sal
Já não vejo o sol
Apenas um rio
Que desliza lento
E o cheiro da noite
Morna de jasmim.
Isabel Perry in" A Travessia"
Hoje
Quando a tarde já caía
Passei de carro
No Passeio Alegre.
À janela da sua casa branca
Branco senhor reflectia
O rio Douro no olhar.
Tecendo fantasias
Enchia toda a Foz
De Mar!
Era Eugénio de Andrade
O meu Poeta.
Dei por mim sentindo
Sem pensar
Que me faltava uma Janela assim
Onde para além de tudo o que ele vê
E eu não vejo
Pudesse ver
Perto do Fim
O sítio exacto
Onde tudo recomeça,
Até o Mar!
Isabel Perry in " A TRAVESSIA"
Quando a tarde já caía
Passei de carro
No Passeio Alegre.
À janela da sua casa branca
Branco senhor reflectia
O rio Douro no olhar.
Tecendo fantasias
Enchia toda a Foz
De Mar!
Era Eugénio de Andrade
O meu Poeta.
Dei por mim sentindo
Sem pensar
Que me faltava uma Janela assim
Onde para além de tudo o que ele vê
E eu não vejo
Pudesse ver
Perto do Fim
O sítio exacto
Onde tudo recomeça,
Até o Mar!
Isabel Perry in " A TRAVESSIA"
Chove
Abençoada chuva.
Rega só de Inverno
E aparência
O desejado Verão.
Os grilos não dormem.
As cigarras calaram
A sua
música-de-terra-madura...
Agreste eu sou
Quando o meu silêncio não fala
Das palavras-caladas...
Mas se tenho alguém
Que me beba
Os segredos
Em taça me torno
E das mãos
Nos marginais dedos!
Isabel Perry in " A Margem De Cá"
Abençoada chuva.
Rega só de Inverno
E aparência
O desejado Verão.
Os grilos não dormem.
As cigarras calaram
A sua
música-de-terra-madura...
Agreste eu sou
Quando o meu silêncio não fala
Das palavras-caladas...
Mas se tenho alguém
Que me beba
Os segredos
Em taça me torno
E das mãos
Nos marginais dedos!
Isabel Perry in " A Margem De Cá"
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